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Cristo: o único mistério que a Igreja celebra
Na Festa da Epifania é costume anunciar solenemente a data da Páscoa do ano corrente:
Solene Anúncio da Páscoa
e das demais festas móveis
Irmãos e irmãs caríssimos,
a glória do Senhor manifestou-se nesta sagrada Epifania
e vai manifestar-se sempre no meio de nós,
até a sua Vinda no fim dos tempos.
Nos ciclos e variações do tempo,
recordamos e vivemos os mistérios da salvação.
O centro de todo o Ano Litúrgico
é o Tríduo Pascal
do Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado,
que culmina no Domingo da Páscoa, este ano a 12 de abril.
Em cada domingo, Páscoa semanal,
a Santa Igreja torna presente este grande Acontecimento,
no qual Jesus Cristo venceu o pecado e a morte.
Da Páscoa derivam todos os demais dias santificados:
Quarta-feira de Cinzas, início da Quaresma, a 25 de fevereiro.
a Ascensão do Senhor, a 24 de maio.
Pentecostes, a 31 de maio.
e o primeiro Domingo do Advento, início do próximo Ano Litúrgico,
a 29 de novembro.
Também nas festas de Maria Santíssima, Mãe de Deus,
dos Apóstolos, dos Santos
e na Comemoração dos Fiéis Defuntos,
a Igreja peregrina sobre a terra
proclama a Páscoa do Senhor!
A Cristo, que era,
que é e que há de vir,
Senhor do tempo e da história,
louvor e glória agora e para sempre.
R. Amém.

Escrito por Pe. Henrique às 19h51
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A Igreja admirada, extasiada: ela foi salva pelo Emanuel
Eis o que a Mãe Igreja, exultante, canta no Ofício de Leituras desta Epifania:

Radiante de esplendor, põe-te de pé:
Despontou a tua luz, Jerusalém
e a glória do Senhor te iluminou!
Os povos andarão na tua luz
e os reis, no esplendor de tua aurora!
A glória do Senhor te iluminou!
Eis o Dia luminoso, em que Cristo apareceu,
que os profetas anunciaram e que os anjos adoraram!
Ao ver a sua estrela, os Magos se alegraram,
oferecendo seus dons!
Um Dia santo raiou para nós:
Vinde povos, adorai!
Ao ver a sua estrela, os Magos se alegraram,
oferecendo seus dons!

Escrito por Pe. Henrique às 19h31
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O mistério da Santa Epifania
Epifania de nosso Senhor Jesus Cristo! É grande o Mistério da hodierna Solenidade:
Hoje uma Estela que não é deste mundo brilhou para os pagãos, os não-judeus, e os atraiu, a eles, que viviam nas trevas da idolatria;
Hoje, como Abraão, pai dos judeus, que deixou tudo para seguir a voz do Senhor Deus, os Magos pagãos também deixaram tudo e seguiram com grande alegria a Estrela do Menino-Rei, prefigurando a Igreja dos pagãos nascida do lado traspassado do Cordeiro;
Hoje, nos Magos, todas as nações, todos os pagãos de boa vontade, adoraram, prostradas, o Menino e nele encontraram a paz, pois manifestou-se a benignidade do nosso Deus;
Hoje, a humanidade ofereceu ouro ao que é Rei, incenso ao que é Deus e mirra ao verdadeiro homem, destinado a morrer pelos pecados dos homens; ele que é luz para iluminar as nações e glória perene do povo de Israel segundo a carne;
Hoje, o Mistério escondido, o plano de Deus de salvar toda a humanidade, foi revelado e começou a manifestar-se, pois o desejo de Deus é que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade;
Hoje, a Igreja, Jerusalém do Alto, nossa Mãe, exulta, iluminada e enfeitada pela luz do Menino-Esposo, que a torna fecunda e fá-la mãe feliz de muitos filhos, reunidos de todas as nações;
Hoje, começou misticamente a Igreja dos pagãos, pois a glória do Senhor brilhou sobre nossa Mãe católica, atraindo a ela todos os povos em todas as gerações;
Hoje, Herodes e a Jerusalém segundo a carne se perturbaram porque não reconheceram o verdadeiro Rei, o Deus perfeito no Menino nascido em Belém; mas todos os que o acolherem receberam o poder de se tornar filhos de Deus;
Hoje, apareceu para o mundo o Rei-Messias, o Santo Emanuel, que governará todos os povos, libertará o indigente e terá pena do infeliz; seu Reino é de vida e santidade, de justiça e de graça, de amor, de bondade e de paz;
Hoje, a esperança das nações e o desejo profundo do coração humano começaram a realizar-se, pois veio aquele que nos sacia de paz e eternidade;
Hoje, os Magos e os povos que adoraram o Menino voltaram por outro caminho: aquele da piedade, do santo temor de Deus, da justiça e da paz;
Hoje, todos nós, que vimos a luz do Menino, somos chamado a segui-lo, a deixarmo-nos iluminar por ele e a anunciar a sua salvação a todos os povos e a todas as pessoas, próximas ou distantes!
Bendito seja Deus, que no seu Cristo fez brilhar para nós a salvação! E nós, que éramos não-povo, somos agora Povo de Deus!
Bendito seja o Deus nascido da Virgem, hoje e sempre. Amém.

Escrito por Pe. Henrique às 19h20
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Suplicas ao Emanuel
Eis, que texto da nossa Liturgia Romana, para este Tempo de Natal:
Jesus, Filho do Deus vivo,
Esplendor do Pai,
Luz eterna,
Rei da glória,
Sol da Justiça,
Filho da Virgem Maria,
Iluminai este dia com a glória da vossa Encarnação!
Jesus, Conselheiro Admirável,
Deus forte,
Pai da eternidade,
Príncipe da Paz,
Dirigi nosso caminho com a luz da vossa santa humanidade!
Jesus todo-pderoso,
Paciente, obediente,
Manso e humilde de coração,
Manifestai a todos o poder da mansidão!
Jesus, Pai dos pobres,
Glória dos vossos fiéis,
Bom Pastor,
Luz verdadeira,
Sabedoria infinita,
Imensa Bondade,
Nosso Caminho e nossa Vida,
Concedei à vossa Igreja o espírito da pobreza evangélica!

Escrito por Pe. Henrique às 19h09
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Eis o Cordeiro, eis o Esposo!
Das Catequeses de São João Crisóstomo (345-407), Bispo de Constantinopla e Doutor da Igreja:
«Eis o Cordeiro de Deus», diz João Batista. Jesus não diz nada; é João que diz tudo. O esposo tem por costume agir assim; ainda não diz nada à esposa, mas apresenta-se e realiza-se em silêncio. Outros o anunciam e lhe apresentam a esposa. Quando ela aparece, o esposo não a toma ele próprio, mas recebe-a das mãos de outrem. Mas logo que a recebe assim das mãos de outro, une-se a ela tão fortemente que ela não se recorda mais daqueles que deixou para o seguir.
Foi o que aconteceu em relação a Jesus Cristo. Ele veio para desposar a humanidade; Ele próprio não disse nada, não fez senão apresentar-Se. Foi João, o amigo do Esposo, que pôs na sua mão a da Esposa, ou seja, o coração dos homens, que ele persuadira com a sua pregação. Então Jesus Cristo recebeu-os e cumulou-os de tantos bens, que eles não voltaram para aquele que os tinha levado até Ele. Ele tirou a Esposa da sua muito humilde condição para a conduzir à casa de seu Pai.
Foi João, o amigo do Esposo, quem, sozinho, esteve presente nestas bodas; foi então ele quem fez tudo; percebendo Jesus que vinha, disse: «Eis o Cordeiro de Deus.» E assim mostrou que não era apenas pela voz, mas também pelos olhos, que dava testemunho ao Esposo. Ele admirava o Filho de Deus e, contemplando-O, o seu coração exultava de alegria e de felicidade. Antes de O anunciar, admira-O presente, e faz conhecer o dom que Jesus veio trazer: «Eis o Cordeiro de Deus.» É Ele, diz João, quem tira o pecado do mundo, e fá-lo sem cessar, não apenas no momento da Sua Paixão quando sofre por nós. Se oferece apenas uma vez o seu sacrifício pelos pecados do mundo, este sacrifício único purifica para sempre os pecados de todos os homens até ao fim do mundo.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 11h09
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Leituras para a Epifania do Senhor
Leitura do Livro do profeta Isaías (Is 60,1-6) 1Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. 2Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. 3Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. 4Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. 5Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; 6será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor.
Salmo responsorial (Sl 71) As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!
Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com eqüidade ele julgue os vossos pobres.
Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho! De mar a mar estenderá o seu domínio, e desde o rio até os confins de toda a terra!
Os reis de Társis e das ilhas hão de vir e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; e também os reis de Seba e de Sabá hão de trazer-lhe oferendas e tributos. Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, e todas as nações hão de servi-lo.
Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. Terá pena do indigente e do infeliz, e a vida dos humildes salvará.
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef 3,2-3a.5-6) Irmãos: 2Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, 3ae como, por revelação, tive conhecimento do mistério. 5Este mistério Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: 6os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia! (Mt 2,2) Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorar o Senhor.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (Mt 2,1-12) 1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2perguntando: "Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo". 3Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado assim como toda a cidade de Jerusalém. 4Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5Eles responderam: "Em Belém, na Judéia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo". 7Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8Depois os enviou a Belém, dizendo: "Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo". 9Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. 10Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. 11Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. 12Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.
Escrito por Pe. Henrique às 20h26
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Estudo bíblico-catequético para a Epifania do Senhor
1. A Solenidade da Epifania do Senhor é uma das mais importantes do Ano Litúrgico. Popularmente é chamada no Brasil de "Festa de Reis". => A palavra "epifania" significa "manifestação". O Cristo que se manifestou aos pastores judeus em Belém, manifesta-se hoje aos pagãos, representados pelos Magos. => O Senhor veio para os judeus, que já estavam próximos de Deus, e para os pagãos, que estavam longe. Leia Ef 2,8-22 e Ef 1,3-14. Observe o "nós" (os cristãos que eram judeus) e "vós" (os cristãos que eram pagãos). Em Cristo, como pedra de amarração (pedra angular), os dois braços do arco (judeus e pagãos) se encontram e recebem a salvação (cf. Ef 2,19-22; Rm 10,11-12). => Por todos estes motivos, os cristãos de origem pagã - é o nosso caso, pois não somos de raça judaica - sempre viram nesta Festa a sua vocação: Cristo nos atraiu com a luz da sua estrela; ele se revelou a nós como Luz, "luz para iluminar as nações"! É o que diz a oração inicial da Missa: "Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos vossos servos que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia face a face no céu!"
2. A liturgia sempre ligou esta Epifania (Manifestação) do Senhor a dois outros acontecimentos que, na Liturgia das Horas, aparecem hoje: => O Batismo do Senhor (que vamos celebrar o próximo Domingo) e as Bodas de Caná. E por quê? Porque nos dois acontecimentos Jesus manifestou a sua glória. Assim, Epifania, Batismo e Bodas de Caná são três momentos do mesmo mistério: o Senhor que nos manifesta humanamente a sua glória divina. Leia Mt 3,13-17 e Jo 2,11.
3. Na primeira leitura aparecem as seguintes idéias: => Israel (=Jerusalém) agora, com o Messias, cumpre sua missão de ser luz para todos os povos. Como o Israel segundo a carne não acolheu Jesus, tal missão passou para o Resto de Israel, a Igreja: é ela a verdadeira e nova Jerusalém (cf. Gl 4,26). => O próprio Antigo Testamento deixa claro que, com o Messias, a salvação não será só para Israel, mas para todos os povos. Assim, o judaísmo se cumpre no cristianismo.
4. A segunda leitura é a síntese de tudo quanto dissemos até agora. Releia-a com atenção. => A Manifestação de Jesus aos Magos era o prenúncio desta realidade: os pagãos são chamados a entrar na Nova e Eterna Aliança.
5. Quanto ao evangelho, eis alguns pontos: => Os magos não seriam necessariamente reis, mas sábios, astrônomos. A idéia de que são reis vem do salmo da Missa de hoje. Releia-o... Também não se sabe quantos eram. A idéia de que são três vem do número dos presentes. => Note o que diz o evangelho: "Voltaram por outro caminho..." Quem encontra o Menino muda de caminho... => Só vê a estrela do Menino quem é humilde, quem aceita partir à sua procura. Compare Herodes e Jerusalém nas trevas, sem verem a estrela, e os magos que, deixando Jerusalém, a vêem e se alegram com grande alegria. => Esta estrela não é um astro qualquer, que possa ser descoberto ou analisado pela ciência. Somente na fé pode ser visto. Quem viveu o natal piedosamente, quem procura seguir o Menino, vê a estrela; quanto ao mundo, não a vê, como Herodes não a viu. => Pense um pouco: Herodes procurou eliminar o Menino com os soldados; o mundo tenta o mesmo com o consumismo e o Papai Noel... => Os magos oferecem seus dons ao Menino. Que dons poderíamos lhe dar neste Natal? => A liturgia oriental diz: "Ó Cristo, que podemos oferecer-vos por vos terdes manifestado sobre a terra na nossa humanidade? Com efeito, cada uma das vossas criaturas exprime a sua ação de graças, e a vós traz: os anjos, o seu canto; o céu, uma estrela; os magos, os seus dons; os pastores, a admiração; a terra, uma gruta; o deserto, uma manjedoura; e nós, uma Virgem Mãe!" => Vale a pergunta: Que presente, Senhor, poderia eu hoje depor a teus pés, como minha homenagem e minha adoração? Esta pergunta poderia ser respondida em família...
6. Após a Festa de hoje ou, melhor ainda, após a Festa do Batismo do Senhor, no próximo domingo, retiram-se os ornamentos de Natal.
Escrito por Pe. Henrique às 20h22
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Nasceu para vós um Salvador
Dos Sermões De Santo Elredo de Rievaulx, abade cisterciense do século XII:
Hoje, na cidade de Davi, nasceu para nós o Salvador do mundo, que é o Cristo Senhor! (cf. Lc 2,11). Esta cidade é Belém, para a qual devemos acorrer, como os pastores fizeram ao ouvir esta notícia. Por isso, costumais cantar (no hino da Virgem Maria): "Cantaram glória a Deus, acorreram a Belém". E isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura (Lc 2,12).
Eis por que vos disse que deveis amá-lo. Temei o Senhor dos anjos, mas amai o pequenino; temei o Senhor de majestade, mas amai o que está envolto em faixas; temei o que reina no céu, mas amai o que está deitado na manjedoura. Mas que sinal receberam os pastores? Encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura. Ele que é o Salvador, ele que é o Senhor. Mas que há de especial no fato de estar envolto em faixas e deitado numa manjedoura? Não são também as outras crianças envolvidas em faixas? Então, que tipo de sinal é este? Na verdade é um grande sinal, se o soubermos compreender. E havemos de compreender, se não nos limitarmos a ouvir esta mensagem de amor, mas também tivermos no coração a luz que brilhou com os anjos. Foi assim que um deles apareceu com luz, quando anunciou pela primeira vez esta notícia, para sabermos que só os que têm a luz espiritual no coração é que ouvem a verdade.
Muito se pode dizer deste sinal; mas, porque a hora vai adiantada, falarei pouco e brevemente. Belém, a "casa do pão", é a santa Igreja, na qual se serve o corpo de Cristo, o pão verdadeiro. A manjedoura de Belém é o altar da Igreja, onde as ovelhas de Cristo se alimentam. Desta mesa está escrito: Diante de mim preparas uma mesa (Sl 22/23,5). Nesta manjedoura, Jesus está envolto em panos, e o invólucro de panos pode ser comparado aos véus do sacramento. Nesta manjedoura, sob as espécies do pão e do vinho, está o verdadeiro corpo e sangue de Cristo. Cremos que ali está o próprio Cristo, mas envolto em panos, isto é, oculto no sacramento. Não temos sinal maior e mais evidente do nascimento de Cristo do que o seu corpo e sangue que recebemos todos os dias no santo altar; daquele que, nascido da Virgem por nós uma vez, vemos por nós se imolar diariamente.
Portanto, irmãos, corramos à manjedoura do Senhor. Mas antes, preparemo-nos o melhor possível por sua graça para esse encontro, e associados aos anjos, de coração puro, consciência reta e fé sincera (cf. 2Cor 6,6), cantemos ao Senhor em toda a nossa vida e conduta: Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados! (Lc 2,14). Por nosso Senhor Jesus Cristo, a quem sejam dadas honra e glória, pelos séculos dos séculos. Amém.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 20h03
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O mistério da liberdade
Caro Internauta, continuarei a apresentar extratos do Cardeal Jean Daniélou. No último post que apresentei, ele havia mostrado como a mística do marxismo, com sua esperança intramundana, é uma pobre caricatura da mística judeu-cristã. Agora, o Cardeal analisa o desespero existencialista:
Ao mesmo tempo - e aí está o paradoxo - temos no pensamento contemporâneo uma corrente absolutamente inversa para a qual o mundo é essencialmente absurdo e diante disso só há uma atitude possível, uma espécie de humanismo desesperado que consiste em nada esperar, uma vez que toda esperança é ilusão, mas em procurar apenas defender-se e salvar um mínimo de felicidade humana.
Evidentemente é esse um pensamento que se justifica em vários pontos de vista ante a aparência do mundo em que vivemos, pois, é certo que ele se encontra em situação absurda, envolvido em um conjunto de contradições e complexidades injustificáveis. Compreende-se muito bem que alguns espíritos encontrem numa filosofia do absurdo e do desespero a expressão dessa felicidade.
Encontramo-nos ainda aqui em presença de uma idéia cristã degenerada, do pessimismo cristão de Pascal e de Kierkegaard, isto é, da tomada de consciência da desordem no mundo. Para os cristãos, essa desordem não constitui a própria natureza das coisas, mas é causada pelo homem que usa de sua liberdade para introduzir o mal na obra harmoniosa de Deus.
A crítica dos existencialistas aos marxistas é muito eficaz, pois mostra que o otimismo comunista é ingênuo, porque desconhece totalmente essa realidade fundamental que é o poder terrível da liberdade do homem. Os elementos materiais não bastam para determinar o destino humano. A liberdade do homem é independente da causalidade material; ela constitui sua grandeza, tem algo de divino e, por conseguinte, dá-lhes essa capacidade terrível de fazer o mal e o bem. Ela constitui um elemento imprevisível, o único precisamente que não entra na perspectiva do comunismo, masque basta para deixá-lo abalado (Observação minha: É por isso mesmo que onde o marxismo foi implantado a liberdade foi perseguida e assassinada. Nunca será possível um regime inspirado no marxismo que respeite realmente as liberdades individuais. Nem marxismo nem quaisquer totalitarismos de direita ou de esquerda admitirão que o homem exerça aquilo que é sua mais profunda característica e sua maior expressão de dignidade: a liberdade. O próprio Deus a criou e a respeita: prefere deixar que o homem o crucifique a crucificar a liberdade humana!).
Ora, a respeito dessa liberdade, sabemos que não há senão uma coisa a considerar: uma outra liberdade superior, à qual aquela não pode recusar-se sem renegar-se (Observação minha: O raciocínio é o seguinte: O homem, que não se criou a si mesmo, não se projetou, não se fez, é consciente e livre. Por quem e por que foi criado com uma consciência e uma liberdade? Não será por Alguém também consciente de uma Consciência infinita e livre de uma Liberdade infinita? Será que esse Criador não criou o homem precisamente para, em consciência e liberdade, fazer da vida um diálogo de amor com Ele, responder-lhe "sim" em consciência e liberdade? Se se nega a existência desse Criador, a consciência e a liberdade humanas para que servem realmente? Até que ponto têm sentido? Com quem estão em diálogo? Em quais valores perenes se sustentam? Não há como correr: negar Deus é negar mesmo o homem!).

Categoria: Teologia
Escrito por Pe. Henrique às 18h22
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No Menino nascido, a possibilidade de um mundo novo
A homilia do Santo Padre para a Solenidade da Santa Mãe de Deus:
No primeiro dia do ano, a divina Providência nos reúne para uma celebração que toda vez comove pela riqueza e a beleza de sua correspondência: o início do ano civil se encontra com o cume da oitava de Natal, no qual se celebra a Divina Maternidade de Maria, e este encontro encontra uma síntese feliz no Dia Mundial da Paz. Na luz do Natal de Cristo, sou grato em dirigir para todos os melhores desejos para o ano que acabou de iniciar. Faço-o, em particular, ao Cardeal Renato Raffaele Martino e a seus colaboradores do Pontifício Conselho «Justiça e Paz», com especial reconhecimento por seu precioso serviço. Faço-o, ao mesmo tempo, ao Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, e a toda Secretaria de Estado; como também, com viva cordialidade, aos Senhores Embaixadores presentes hoje em grande número. Os meus votos fazem eco ao desejo que o próprio Senhor há pouco nos dirigiu, na liturgia da Palavra. Uma Palavra que, a partir do acontecimento de Belém, reinvocado em sua certeza histórica pelo Evangelho de Lucas (2,16-21), e relido em todo seu significado salvífico pelo apóstolo Paulo (Gl 4,4-7), torna-se bênção para o povo de Deus e para toda humanidade.
Chega, assim, ao cumprimento a antiga tradição hebraica da bênção (Nm 6, 22-27): os sacerdotes de Israel abençoavam o povo «colocando sobre ele o nome» do Senhor. Com uma fórmula ternária - presente na primeira leitura - o sacro Nome era invocado por três vezes sobre os fiéis, qual auspício de graça e de paz. Este costume remoto nos leva a uma realidade essencial: para poder caminhar sobre a via da paz, os homens e os povos têm necessidade de serem iluminados pela «face» de Deus e serem abençoados por seu «nome». Justamente isso se realiza definitivamente com a Encarnação: a vinda do Filho de Deus em nossa carne e na história trouxe uma irrevogável bênção, uma luz que já não se apaga e que oferece aos crentes e aos homens de boa vontade a possibilidade de construir a civilização do amor e da paz.
O Concílio Vaticano II afirmou, a esse respeito, que «com a Encarnação o Filho de Deus se uniu, de certo modo, a cada homem» (Gaudium et spes, 22). Esta união veio a confirmar o projeto originário de uma humanidade criada à «imagem e semelhança» de Deus. Na verdade, o Verbo encarnado é a única imagem perfeita e consubstancial do Deus invisível. Jesus Cristo é o homem perfeito. «Nele - observa ainda o Concílio - a natureza humana foi assumida..., por isso mesmo foi também em nós alçada a uma dignidade sublime» (ibid.). Por isso, a história terrena de Jesus, culminada no mistério pascal, é o início de um mundo novo, porque realmente inaugurou uma nova humanidade, capaz, sempre e só com a graça de Cristo, de realizar uma «revolução» pacífica. Uma revolução não ideológica, mas espiritual, não utópica, mas real, e por isso necessita de infinita paciência, de tempos, muitas vezes, muito longos, evitando qualquer atalho e percorrendo a via mais difícil: a via do amadurecimento das responsabilidades nas consciências.
Caros amigos, esta é a via evangélica para a paz, a via que também o Bispo de Roma é chamado a reforçar com constância cada vez que põe as mãos na anual Mensagem para o Dia Mundial da Paz. Percorrendo esta estrada ocorre muitas vezes de se voltar sobre aspectos e problemáticas já afrontadas, mas tão importantes que requerem sempre nova atenção. É o caso do tema que escolhi para a Mensagem deste ano: Combater a pobreza, construir a paz. Um tema que se presta a uma dupla ordem de considerações, que agora posso só brevemente acenar. De um lado a pobreza escolhida e proposta por Jesus, de outro lado, a pobreza a se combater para tornar o mundo mais justo e solidário.
O primeiro aspecto encontra seu contexto ideal nestes dias, no tempo de Natal. O nascimento de Jesus em Belém nos revela que Deus escolheu a pobreza para si mesmo em sua vinda a nosso meio. A cena que os pastores viram por primeiro, e que confirmou o anúncio feito a eles pelo anjo, é o de um estábulo onde Maria e José tinham procurado refúgio, e de uma manjedoura na qual a Virgem tinha depositado o Recém-nascido envolto em faixas (cf. Lc 2,7.12.16). Esta pobreza Deus escolheu. Quis nascer assim - mas podemos rapidamente acrescentar: quis viver, e também morrer assim. Por que? É o que explica em termos populares Santo Afonso Maria de Ligório, em um cântico natalício, que todos na Itália conhecem: «A Vós, que sois do mundo o Criador, faltam vestes e fogo, ó meu Senhor. Caro menino eleito, quanto esta pobreza mais me apaixona, já que vos fizestes pobre também de amor». Eis a resposta: o amor por nós levou Jesus não somente a fazer-se homem, mas a fazer-se pobre. Nesta mesma linha podemos citar as expressões de São Paulo na segunda Carta aos Coríntios: «Conheceis, de fato - ele escreve - a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo: de rico que era, fez-se pobre por vós, para que vós vos tornásseis ricos por meio de sua pobreza» (8,9). Testemunho exemplar desta pobreza escolhida por amor é São Francisco de Assis. O franciscanismo, na história da Igreja e da civilização cristã, constitui uma difundida corrente de pobreza evangélica, que tanto bem fez e continua a fazer à Igreja e à família humana. Retornando à estupenda síntese de São Paulo sobre Jesus, é significativo - também para nossa reflexão de hoje - que tenha sido inspirada ao Apóstolo justamente enquanto estava exortando os cristãos de Corinto a serem generosos na coleta em favor dos pobres. Ele explica: «Não se trata de colocar vós em dificuldade para ajudar os outros, mas que haja igualdade» (8,13).
É este ponto decisivo, que nos faz passar ao segundo aspecto: há uma pobreza, uma indigência, que Deus não quer e que é «combatida» - como diz o tema da atual Jornada Mundial da Paz; uma pobreza que impede às pessoas e às famílias de viverem segundo sua dignidade; uma pobreza que ofende a justiça e a igualdade e que, como tal, ameaça a convivência pacífica. Nesta acepção negativa cabem também as formas de pobreza não material que se reencontram justamente nas sociedades ricas e progredidas: marginalização, miséria relacional, moral e espiritual (cf. Mensagem para a Jornada Mundial da Paz 2008, 2). Em minha Mensagem quis mais uma vez, sobre a trilha de meus Predecessores, considerar atentamente o complexo fenômeno da globalização, para avaliar as relações com a pobreza em larga escala. Frente a pragas difundidas quais doenças pandêmicas (ivi, 4), a pobreza das crianças (ivi, 5) e a crise alimentar (ivi, 7), tive o dever, infelizmente, de voltar a denunciar a inaceitável corrida armamentista. Por um lado se celebra a Declaração Universal dos Direitos do Homem, e por outro, se aumentam as despesas militares, violando a própria Carta das Nações Unidas, que empenha a reduzi-la ao mínimo (cf. art. 26). Por outro lado, a globalização elimina certas barreiras, mas pode construir novas (Mensagem cit., 8), por isso, é necessário que a comunidade internacional e cada um dos Estados sejam sempre vigilantes; é necessário que não abaixemos mais a guarda em relação aos perigos de conflito, ao contrário, se empenhem a manter alto o nível da solidariedade. A atual crise econômica global é vista em tal sentido também como um banco de prova: estamos prontos para lê-la, em sua complexidade, como desafio para o futuro e não só como uma emergência a qual dar resposta a curto prazo? Estamos dispostos a fazermos juntos uma revisão profunda do modelo de desenvolvimento dominante, para corrigi-lo de modo certo e a longo prazo? Exigem isso, na verdade, mais ainda que as dificuldades financeiras imediatas, o estado de saúde ecológica do planeta e, sobretudo, a crise cultural e moral, os quais sintomas há tempos são evidentes em cada parte do mundo.
Ocorre, portanto, de buscar estabelecer um «círculo virtuoso» entre a a pobreza «a escolher» e a pobreza «a combater». Abre-se aqui um caminho fecundo de frutos para o presente e para o futuro da humanidade, que se pode reassumir assim: para combater a pobreza iníqua, que oprime tantos homens e mulheres e ameaça a paz de todos, ocorre redescobrir a sobriedade e a solidariedade, como valores evangélicos e, ao mesmo tempo, universais. Mais concretamente, não se pode combater eficazmente a miséria, se não se faz aquilo que escreve São Paulo aos Coríntios, isto é, se não se busca fazer «igualdade», reduzindo o desnível entre quem gasta o supérfluo e quem passa falta do necessário. Isto comporta escolhas de justiça e de sobriedade, escolhas por outro lado obrigadas pela exigência de administrar sabiamente os limitados recursos da terra. Quando afirma que Jesus Cristo nos enriqueceu «com sua pobreza», São Paulo oferece uma indicação importante não somente sob o perfil teológico, mas também no plano sociológico. Não no sentido que a pobreza seja um valor em si, mas porque essa é condição para realizar a solidariedade. Quando Francisco de Assis deixa seus bens, faz uma escolha de testemunho inspirado diretamente por Deus, mas ao mesmo tempo mostra a todos o caminho da confiança na Providência. Assim, na Igreja, o voto de pobreza é o compromisso de alguns, mas recorda a todos a exigência do desapego dos bens materiais e a primazia das riquezas do espírito. Eis, portanto, a mensagem oferecida hoje: a pobreza do nascimento de Cristo em Belém, além de objeto de adoração para os cristãos, é também escola de vida para cada homem. Essa nos ensina que para combater a miséria, tanto material quanto espiritual, o caminho a percorrer é o da solidariedade, que levou Jesus a partilhar nossa condição humana.
Caros irmãos e irmãs, penso que a Virgem Maria tenha se feito mais de uma vez esta pergunta: por que Jesus quis nascer de uma menina simples e humilde como eu? E depois, por que quis vir ao mundo em um estábulo e ter como primeira visita a dos pastores de Belém? A resposta Maria teve plenamente ao fim, depois de ter deposto no sepulcro o corpo de Jesus, morto e envolto em faixas (cf. Lc 23, 53). Então compreende plenamente o mistério da pobreza de Deus. Compreende que Deus se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com sua pobreza cheia de amor, para nos exortar a frear a cobiça insaciável que suscita lutas e divisões, para nos convidar a moderar a ânsia de possuir e a estar assim disponíveis à partilha e ao acolhimento recíproco. A Maria, Mãe do Filho de Deus feito nosso irmão, voltamo-nos confiantes em nossa oração, para que nos ajude a seguir suas pegadas, a combater e vencer a pobreza, a construir a verdadeira paz, que é opus iustitiae. A Ela confiamos o profundo desejo de viver em paz que sai do coração da grande maioria das populações israelitas e palestinas, mais uma vez em perigo pela intensa violência desatada na faixa de Gaza, em resposta a outra violência. Também a violência, também o ódio e a desconfiança são formas de pobreza - talvez maiores - que devem ser combatidas. Que estas não se estendam! Neste sentido, os pastores dessas Igrejas, nestes tristes dias, levantaram sua voz. Junto a eles e a seus queridos fiéis, sobretudo os da pequena mas fervorosa paróquia de Gaza, colocamos aos pés de Maria nossas preocupações pelo presente e os temores do futuro, mas também a fundada esperança de que, com a sábia e prévia ajuda de todos, não será impossível escutar, vir ao encontro e dar respostas concretas à aspiração difundida de viver em paz, em segurança, em dignidade. Digamos a Maria: acompanhai-nos, celeste Mãe do Redentor, ao longo de todo o ano que hoje inicia, e obtenhais de Deus o dom da paz para a Terra Santa e para toda a humanidade. Santa Mãe de Deus, rogai por nós. Amém.

Escrito por Pe. Henrique às 13h26
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Palavras no meio da Noite
A homilia do Santo Padre Bento XVI para a Noite do Natal:

«Quem se compara ao Senhor, nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas e Se inclina lá do alto a olhar os céus e a terra?» Assim canta Israel num dos seus Salmos (113/112, 5s.), onde exalta simultaneamente a grandeza de Deus e sua benigna proximidade dos homens. Deus habita nas alturas, mas inclina-Se para baixo... Deus é imensamente grande e está incomparavelmente acima de nós. Esta é a primeira experiência do homem. A distância parece infinita. O Criador do universo, Aquele que tudo guia, está muito longe de nós: assim parece ao início. Mas depois vem a experiência surpreendente: Aquele que não é comparável a ninguém, que «está sentado nas alturas», Ele olha para baixo. Inclina-se para baixo. Ele vê-nos a nós, e vê-me a mim. Este olhar de Deus para baixo é mais do que um olhar lá das alturas. O olhar de Deus é um agir. O facto de Ele me ver, me olhar, transforma-me a mim e o mundo ao meu redor. Por isso logo a seguir diz o Salmo: «Levanta o pobre da miséria...» Com o seu olhar para baixo, Ele levanta-me, toma-me benignamente pela mão e ajuda-me, a mim próprio, a subir de baixo para as alturas. «Deus inclina-Se». Esta é uma palavra profética; e, na noite de Belém, adquiriu um significado completamente novo. O inclinar-Se de Deus assumiu um realismo inaudito, antes inimaginável. Ele inclina-Se: desce, Ele mesmo, como criança na miséria do curral, símbolo de toda a necessidade e estado de abandono dos homens. Deus desce realmente. Torna-Se criança, colocando-Se na condição de dependência total, própria de um ser humano recém-nascido. O Criador que tudo sustenta nas suas mãos, de Quem todos nós dependemos, faz-Se pequeno e necessitado do amor humano. Deus está no curral. No Antigo Testamento, o templo era considerado quase como o estrado dos pés de Deus; a arca santa, como o lugar onde Ele estava misteriosamente presente no meio dos homens. Deste modo sabia-se que sobre o templo, escondida, estava a nuvem da glória de Deus. Agora, está sobre o curral. Deus está na nuvem da miséria de uma criança sem lugar na hospedaria: que nuvem impenetrável e, no entanto, nuvem da glória! De facto, de que modo poderia aparecer maior e mais pura a sua predilecção pelo homem, a sua solicitude por ele? A nuvem do encobrimento, da pobreza da criança totalmente necessitada do amor, é ao mesmo tempo a nuvem da glória. É que nada pode ser mais sublime e maior do que o amor que assim se inclina, desce, se torna dependente. A glória do verdadeiro Deus torna-se visível quando se abrem os nossos olhos do coração diante do curral de Belém.
A narração do Natal feita por São Lucas, que acabámos de ouvir no texto evangélico, conta-nos que Deus levantou um pouco o véu do seu encobrimento primeiro diante de pessoas de condição muito humilde, diante de pessoas que habitualmente eram desprezadas na grande sociedade: diante dos pastores que, nos campos ao redor de Belém, guardavam os animais. Lucas diz-nos que estas pessoas «velavam». Nisto podemos ouvir ressoar um motivo central da mensagem de Jesus, na qual volta, repetidamente e com crescente urgência até ao Jardim das Oliveiras, o convite à vigilância, a permanecer acordados para nos darmos conta da vinda do Senhor e estarmos preparados para ela. Por isso, também aqui talvez a palavra signifique algo mais do que o simples estar externamente acordados durante as horas nocturnas. Eram pessoas verdadeiramente vigilantes, nas quais estava vivo o sentido de Deus e da sua proximidade; pessoas que estavam à espera de Deus e não se resignavam com o aparente afastamento d'Ele na vida de cada dia. A um coração vigilante pode ser dirigida a mensagem da grande alegria: esta noite nasceu para vós o Salvador. Só o coração vigilante é capaz de crer na mensagem. Só o coração vigilante pode incutir a coragem de pôr-se a caminho para encontrar Deus nas condições de uma criança no curral. Peçamos ao Senhor para que nesta hora nos ajude, a nós também, a tornarmo-nos pessoas vigilantes.
São Lucas narra-nos ainda que os próprios pastores ficaram «envolvidos» pela glória de Deus, pela nuvem de luz, encontravam-se dentro do resplendor desta glória. Envolvidos pela nuvem santa ouvem o cântico de louvor dos anjos: «Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados». E quem são estes homens por Ele amados senão os pequenos, os vigilantes, aqueles que estão à espera, esperam na bondade de Deus e procuram-No olhando para Ele de longe?
Nos Padres da Igreja, é possível encontrar um comentário surpreendente ao cântico com que os anjos saúdam o Redentor. Até àquele momento - dizem os Padres - os anjos tinham conhecido Deus na grandeza do universo, na lógica e na beleza do cosmos que provêm d'Ele e O reflectem. Tinham acolhido por assim dizer o cântico de louvor mudo da criação e tinham-no transformado em música do céu. Mas agora acontecera um facto novo, até mesmo assombroso para eles. Aquele de quem fala o universo, o próprio Deus que tudo sustenta e traz na sua mão, Ele mesmo entrara na história dos homens, tornara-Se um que age e sofre na história. Do jubiloso assombro suscitado por este facto inconcebível, por esta segunda e nova maneira em que Deus Se manifestara - dizem os Padres - nasceu um cântico novo, tendo o Evangelho de Natal conservado uma estrofe para nós: «Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens». Talvez se possa dizer, segundo a estrutura da poesia hebraica, que este versículo nas suas duas frases diz fundamentalmente a mesma coisa, mas duma perspectiva diversa. A glória de Deus está no alto dos céus, mas esta sublimidade de Deus encontra-se agora no curral, aquilo que era humilde tornou-se sublime. A sua glória está sobre a terra, é a glória da humildade e do amor. Mais ainda: a glória de Deus é a paz. Onde está Ele, lá está a paz. Ele está lá onde os homens não querem fazer, de modo autónomo, da terra o paraíso, servindo-se para tal fim da violência. Ele está com as pessoas de coração vigilante; com os humildes e com aqueles que correspondem à sua elevação, à elevação da humildade e do amor. A estes dá a sua paz, para que, por meio deles, entre a paz neste mundo.
O teólogo medieval Guilherme de S. Thierry disse uma vez: Deus viu, a partir de Adão, que a sua grandeza suscitava no homem resistência; que o homem se sente limitado no ser ele próprio e ameaçado na sua liberdade. Portanto Deus escolheu um caminho novo. Tornou-Se um Menino. Tornou-Se dependente e frágil, necessitado do nosso amor. Agora - diz-nos aquele Deus que Se fez Menino - já não podeis ter medo de Mim, agora podeis apenas amar-Me.
É com tais pensamentos que, esta noite, nos aproximamos do Menino de Belém, daquele Deus que por nós quis fazer-Se criança. Em cada criança, há o revérbero do Menino de Belém. Cada criança pede o nosso amor. Pensemos, pois, nesta noite de modo particular também naquelas crianças às quais é recusado o amor dos pais; nos meninos da rua que não têm o dom de um lar doméstico; nas crianças que são brutalmente usadas como soldados e feitas instrumentos da violência, em vez de poderem ser portadores da reconciliação e da paz; nas crianças que, através da indústria da pornografia e de todas as outras formas abomináveis de abuso, são feridas até ao fundo da sua alma. O Menino de Belém é um renovado apelo que nos é dirigido para fazermos tudo o que for possível a fim de que acabe a tribulação destas crianças; para fazermos tudo o que for possível a fim de que a luz de Belém toque os corações dos homens. Somente através da conversão dos corações, somente através de uma mudança no íntimo do homem se pode superar a causa de todo este mal, pode ser vencido o poder do maligno. Somente se mudarem os homens é que muda o mundo e, para os homens mudarem, precisam da luz que vem de Deus, daquela luz que de modo tão inesperado entrou na nossa noite.
E falando do Menino de Belém, pensemos também na localidade que responde ao nome de Belém; pensemos naquela terra onde Jesus viveu e que Ele amou profundamente. E peçamos para que lá se crie a paz. Que cessem o ódio e a violência. Que desperte a compreensão recíproca, se realize uma abertura dos corações que abra as fronteiras. Que desça a paz que os anjos cantaram naquela noite.
No Salmo 96/95, Israel e, com ele, a Igreja louvam a grandeza de Deus que se manifesta na criação. Todas as criatura são chamadas a aderir a este cântico de louvor, encontrando-se lá também este convite: «Alegrem-se as árvores da floresta, diante do Senhor que vem» (12s.). A Igreja lê este Salmo também como um profecia e simultaneamente uma missão. A vinda de Deus a Belém foi silenciosa. Somente os pastores que velavam foram por uns momentos envolvidos no esplendor luminoso da sua chegada e puderam ouvir uma parte daquele cântico novo que brotara da maravilha e da alegria dos anjos pela vinda de Deus. Esta vinda silenciosa da glória de Deus continua através dos séculos. Onde há fé, onde a sua palavra é anunciada e escutada, Deus reúne os homens e dá-Se-lhes no seu Corpo, transforma-os no seu Corpo. Ele «vem». E assim desperta o coração dos homens. O cântico novo dos anjos torna-se cântico dos homens que, ao longo de todos os séculos, de forma sempre nova cantam a vinda de Deus como Menino e, a partir do seu íntimo, tornam-se felizes. E as árvores da floresta vão até Ele e exultam. A árvore na Praça de São Pedro fala d'Ele, quer transmitir o seu esplendor e dizer: Sim, Ele veio e as árvores da floresta aclamam-No. As árvores nas cidades e nas casas deveriam ser algo mais do que um costume natalício: indicam Aquele que é a razão da nossa alegria - o próprio Deus que vem, o Deus que por nós Se fez menino. O cântico de louvor, no mais fundo, fala enfim d'Aquele que é a própria árvore da vida reencontrada. Pela fé n'Ele, recebemos a vida. No sacramento da Eucaristia, dá-Se a nós: dá uma vida que chega até à eternidade. Nesta hora, juntamo-nos ao cântico de louvor da criação e o nosso louvor é ao mesmo tempo uma oração: Sim, Senhor, fazei-nos ver algo do esplendor da vossa glória. E dai a paz à terra. Tornai-nos homens e mulheres da vossa paz. Amém.

Escrito por Pe. Henrique às 13h19
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Uma luz brilhou na China!
Caro internauta, com imensa alegria ofereço fotos de um presépio vivo montado na China: uma Nossa Senhora, um São José e um Menino Jesus com os olhinhos repuxados... Foi enorme a multidão que visitou o presépio e se comoveu. Deus fez-se homem! Fez-se vizinho a todo homem, a todas as culturas. Deus também pode ser visto pelos olhos repuxados dos chineses! Glória a Deus nas alturas; paz na terra aos homens por ele amados!





Toda terra, toda gente viu a Salvação do nosso Deus!
Escrito por Pe. Henrique às 12h38
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A pessoa: entre o natural e o sobrenatural
Caro Internauta, eis um pouco mais da Instrução Dignitas Personae:
O respeito de tal dignidade é devido a cada ser humano, porque este traz impressos em si, de maneira indelével, a própria dignidade e o próprio valor. A origem da vida humana, por outro lado, tem o seu contexto autêntico no matrimônio e na família, onde é gerada através de um ato que exprime o amor recíproco entre o homem e a mulher. Uma procriação verdadeiramente responsável em relação ao nascituro «deve ser o fruto do matrimônio».
O matrimónio, presente em todos os tempos e em todas as culturas, «foi uma instituição sapiente do Criador, para realizar na humanidade o seu desígnio de amor. (Observação minha: Uma cultura que não possua o matrimônio monogâmico, não está em correspondência com o plano de Deus e, para acolher plenamente o Cristo, deve converter-se neste aspecto. Cultura alguma é isenta de imperfeições e pecados. A norma e critério do humano é Cristo). Mediante a doação pessoal recíproca, que lhes é própria e exclusiva, os esposos tendem para a comunhão dos seus seres, em vista de um aperfeiçoamento mútuo pessoal, para colaborarem com Deus na geração e educação de novas vidas». Na fecundidade do amor conjugal, o homem e a mulher «tornam evidente que, na origem da sua vida esponsal, existe um "sim" genuíno, que é pronunciado e realmente vivido na reciprocidade, permanecendo sempre aberto à vida... A lei natural, que está na base do reconhecimento da verdadeira igualdade entre as pessoas e os povos, merece ser reconhecida como a fonte, onde inspirar também a relação entre os esposos na sua responsabilidade de gerar novos filhos. A transmissão da vida está inscrita na natureza e as suas leis permanecem como norma não escrita, a que todos se devem referir» (Observação minha: O que a Igreja entende dizer com isto? Primeiro que o lugar para a procriação é o ato sexual normal e natural, entre um homem e uma mulher unidos pelo matrimônio. Em segundo lugar, que tal verdade pode ser apreendida pela própria razão humana ao apreciar a ordem natural das coisas e, finalmente, que o ato sexual tem como objetivo não somente a procriação, mas a celebração do amor do casal e o aperfeiçoamento e crescimento nesse amor).
É convicção da Igreja que tudo o que é humano não só é acolhido e respeitado pela fé, mas por esta é também purificado, elevado e aperfeiçoado. Deus, depois de ter criado o homem à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1,26), qualificou a sua criatura como «muito boa» (Gn 1,31) para depois assumi-la no Filho (cf. Jo 1,14). O Filho de Deus, no mistério da Encarnação, confirmou a dignidade do corpo e da alma, constitutivos do ser humano. Cristo não desdenhou a corporeidade humana, mas revelou plenamente o seu significado e valor: «Na realidade, o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente».
Tornando-se um de nós, o Filho faz com que possamos tornar-nos «filhos de Deus» (Jo 1,12), «participantes da natureza divina» (2Pd 1,4). Esta nova dimensão não está em contraste com a dignidade da criatura que todos os homens reconhecem como racional, mas eleva-a a um ulterior horizonte de vida, que é a própria vida de Deus, e permite refletir mais adequadamente sobre a vida humana e sobre os atos que a constituem.
Pelo simples fato de existir, cada ser humano deve ser plenamente respeitado. Deve-se excluir a introdução de critérios de discriminação quanto à dignidade, com base no desenvolvimento biológico, psíquico, cultural ou no estado de saúde. No homem, criado à imagem e semelhança de Deus, reflete-se, em cada fase da sua existência, «o rosto do seu Filho Unigênito... Este amor ilimitado e quase incompreensível de Deus pelo homem revela até que ponto a pessoa humana seja digna de ser amada por si mesma, independentemente de qualquer outra consideração: inteligência, beleza, saúde, juventude, integridade, etc. Numa palavra, a vida humana é sempre um bem, porque "ela é, no mundo, manifestação de Deus, sinal da sua presença, vestígio da sua glória" (cf. Evangelium vitae, 34)».
Estas duas dimensões da vida, a natural e a sobrenatural, permitem também compreender melhor em que sentido os actos que consentem ao ser humano vir à existência e nos quais o homem e a mulher se doam mutuamente um ao outro, são um reflexo do amor trinitário. «Deus, que é amor e vida, inscreveu no homem e na mulher a vocação a uma participação especial no seu mistério de comunhão pessoal e na sua obra de Criador e Pai».
O matrimônio cristão «radica-se na complementaridade natural que existe entre o homem e a mulher, e alimenta-se mediante a vontade pessoal dos esposos de partilhar, num projeto de vida integral, o que têm e o que são. Por isso, tal comunhão é fruto e sinal de uma exigência profundamente humana. Porém, em Cristo, Deus assume esta exigência humana, confirma-a, purifica-a e eleva-a, conduzindo-a à perfeição com o sacramento do matrimônio: o Espírito Santo infundido na celebração sacramental oferece aos esposos cristãos o dom de uma comunidade nova, de amor, que é a imagem viva e real daquela unidade singularíssima, que torna a Igreja o indivisível Corpo Místico do Senhor».
A Igreja, ao pronunciar-se sobre a validade ética de alguns resultados das recentes investigações da medicina, relativas ao homem e às suas origens, não intervém no âmbito próprio da ciência médica como tal, mas chama todos os interessados à responsabilidade ética e social do seu operar. Recorda-lhes que o valor ético da ciência biomédica mede-se com a referência, quer ao respeito incondicionado devido a cada ser humano, em todos os momentos da sua existência, quer à tutela da especificidade dos actos pessoais que transmitem a vida. A intervenção do Magistério situa-se na sua missão de promover a formação das consciências, ensinando com autenticidade a verdade que é Cristo e, ao mesmo tempo, declarando e confirmando com autoridade os princípios da ordem moral que emanam da própria natureza humana.

Categoria: Teologia
Escrito por Pe. Henrique às 12h06
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O mistério da maternidade divina
Das Conferências de São Maxilimiliano Kolbe (1894-1941), sacerdote franciscano, mártir:
Sempre que se contempla a Imaculada sente-se no coração a necessidade de nos aproximarmos d'Ela. Aqueles que A amam e aqueles que escrevem sobre Ela param para perceber quem Ela é, mesmo que A não conheçam em profundidade. Quem é Ela em relação a Deus Pai? Ele é o seu criador, certamente; Ela diz de si própria: «Eu sou a serva do Senhor» (Lc 1,38). Mas o que é também? É a preferida do Pai Eterno. Não podemos conceber isto; as palavras humanas não chegam para o expressar.
O Pai Celeste quis que a segunda pessoa da Santíssima Trindade, Seu Filho, tivesse por mãe, no tempo, a Imaculada. Ela é verdadeiramente a Mãe do Filho de Deus. Quão difícil de compreender!
É necessário estarmos bem unidos à Mãe de Deus para compreendermos mais profundamente este mistério. A Virgem Maria é a Mãe do Filho de Deus, é verdadeiramente Mãe de Deus pelo que não pode ser comparada com os outros santos. Ser criado, ser adotado por Deus, isso ainda se pode entender. Mas ser realmente a Mãe de Deus, e não apenas a mãe da humanidade de Jesus, ultrapassa a nossa inteligência. É uma verdade de fé.
E é Esposa do Espírito Santo. Também isto não é possível conceber! O Espírito Santo uniu-Se de tal maneira à Imaculada, que formou com Ela um só ser. Em tudo isto, a nossa inteligência não é suficiente, pois a Trindade é infinita. E, mesmo que tivéssemos um conhecimento total, há uma distância infinita entre o que nós conhecemos da Santíssima Trindade e o que ela é realmente. Mais tarde, no céu, entenderemos bem melhor este mistério. Mesmo depois de milhares e milhares de anos, este conhecimento permanecerá sempre limitado, sendo necessária a eternidade para atingirmos o conhecimento perfeito.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 10h23
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A Maternidade Divina de Maria sempre Virgem
Na verdade, é justo e necessário,
é nosso dever e salvação
dar-vos graças, sempre em todo o lugar,
Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso,
e, na festa da Maternidade Divina de Maria sempre Virgem,
celebrar os vossos louvores.
À sombra do Espírito Santo,
ela concebeu o vosso Filho único
e, permanecendo virgem,
deu ao mundo a Luz eterna,
Jesus Cristo, Senhor nosso.

Escrito por Pe. Henrique às 03h10
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Salve, ó Mãe de Deus!
Para a Festa de hoje, caro Internauta, um trecho do discurso de São Cirilo de Alexandria no Concílio de Éfeso, que em 431 acolheu e definiu oficialmente o título de Maria como Mãe de Deus:
Nós vos saudamos, ó Maria Mãe de Deus, venerando tesouro de toda a terra, lâmpada inextinguível, coroa da virgindade, cetro de doutrina verdadeira, templo indestrutível, morada daquele que nenhum lugar pode conter, Mãe e Virgem, por meio da qual nos santos Evangelhos é chamado bendito o que vem em nome do Senhor.

Nós vos saudamos, ó Maria, que trouxestes no vosso seio virginal Aquele que é imenso e infinito; por vós a santa trindade é glorificada e adorada; por vós, a cruz preciosa é adorada no mundo inteiro; por vós, o céu exulta; por vós, alegram-se os anjos e os arcanjos; por vós, são postos em fuga os demônios; por vós, o diabo tentador foi precipitado do céu; por vós, a criatura decaída é elevada ao céu; por vós, todo o gênero humano, sujeito à insensatez da idolatria, chega ao conhecimento da verdade; por vós, o santo Batismo purifica os crentes; por vós nos vem o óleo da alegria; por vós são fundadas igrejas em toda a parte; por vós, os povos são conduzidos à penitência.
E que mais hei de dizer? Por vós, o Filho unigênito de Deus iluminou aqueles que jaziam nas trevas e na sombra da morte; por vós, os profetas anunciaram as coisas futuras; por vós, os mortos são ressuscitados; por vós, reinam os reis em nome da santa Trindade.

Quem dentre os homens é capaz de celebrar dignamente os louvores de Maria? Ela é mãe e virgem: ó realidade admirável, ó surpreendente maravilha! Quem alguma vez ouviu dizer que o construtor fosse impedido de habitar no templo que ele próprio construiu? Quem poderá considerar ignomínia o fato de tomar a própria serva como sua mãe?
Vede que tudo exulta de alegria! Queira Deus que todos nós reverenciemos e adoremos a Unidade, que em santo temor veneremos a indivisível Trindade, ao celebrarmos os louvores da sempre Virgem Maria, templo santo de Deus, que é seu Filho e Esposo imaculado. A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Escrito por Pe. Henrique às 19h40
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Feliz 2009!
A todos os leitores e amigos deste blog
e do site www.padrehenrique.com,
os mais sinceros augúrios
de um 2009 vivido na graça
do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo.

Jesus Cristo é o mesmo ontem e hoje e por toda a eternidade!
A ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.

Escrito por Pe. Henrique às 16h34
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Leituras para Santa Maria Mãe de Deus
Leitura do Livro dos Números (Nm 6,22-27) 22O Senhor falou a Moisés, dizendo: 23"Fala a Aarão e a seus filhos: Ao abençoar os filhos de Israel, dizei-lhes: 24'O Senhor te abençoe e te guarde! 25O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! 26O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!' 27Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei".
Salmo responsorial (Sl 66) Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção.
Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós! Que na terra se conheça o seu caminho e a sua salvação por entre os povos.
Exulte de alegria a terra inteira, pois julgais o universo com justiça; os povos governais com retidão, e guiais, em toda a terra, as nações.
Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem! Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, e o respeitem os confins de toda a terra!
Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas (Gl 4,4-7) Irmãos: 4Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, 5a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva. 6E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá - ó Pai! 7Assim, já não és escravo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro: tudo isso por graça de Deus.
Aleluia, aleluia, aleluia! (Hb 1,1-2) De muitos modos, Deus outrora nos falou pelos profetas; nestes tempos derradeiros nos falou pelo seu Filho.
Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (Lc 2,16-21) Naquele tempo, 16os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura. 17Tendo-o visto, contaram o que lhes fora dito sobre o menino. 18E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam.19Quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração. 20Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito. 21Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido.
Escrito por Pe. Henrique às 16h23
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Estudo bíblico-catequético para Santa Maria Mãe de Deus
1. Hoje é a Oitava do Natal do Senhor. Neste dia, a Igreja recorda a Mãe do Menino e a proclama Theotókos: Mãe de Deus. => Se na Noite do Natal contemplávamos o Menino na sua pobreza, hoje proclamamos que este Menino é o Deus perfeito. => "Mãe de Deus" significa que o Menino gerado da Virgem Maria na sua natureza humana é, na verdade, uma Pessoa divina, a segunda da Trindade. Então, Maria é Mãe de Deus-Filho feito homem. Melhor esclarecendo: Quem Maria gerou no seu ventre? Maria gerou Deus-Filho. Mas, Deus não pode ser gerado por uma mulher! Deus-Filho foi gerado por Maria na sua natureza humana, que ele assumiu para nossa salvação. => No Oriente, os cristãos proclamam: "Verdadeiramente é digno bendizer-te, ó Mãe de Deus!/ Bem-aventurada, imaculada para sempre, Mãe do nosso Deus!/ Mais venerável que os Querubins/ e incomparavelmente mais gloriosa que os Serafins!/ tu, que conservando tua integridade,/ deste à luz o Verbo de Deus!/ tu és na verdade Mãe de Deus!/ Nós te glorificamos!" => A Solenidade de hoje que insistir em que a única Pessoa divina do Filho eterno assumiu de verdade a natureza humana, e não só em Maria, mas de Maria (ex Maria): de verdade recebeu de alguém da nossa raça aquilo que é nosso: a natureza humana criada. Negar a Maria o título de Mãe de Deus é negar que haja uma só Pessoa divina em Jesus e, assim, negar a nossa salvação. Se Maria não puder ser chamada de Mãe de Deus, então é porque em Jesus há duas pessoas: uma divina e outra humana, filha de Maria. Se fosse assim, esse Jesus humano não nos poderia salvar porque não seria Deus! => Diz o Catecismo: "Aquele que ela gerou do Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos)" (n. 495).
2. Hoje se comemora ainda o Santíssimo Nome de Jesus, pois o Evangelho desta Missa diz: "Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido". => Leia Mt 1,21. Como o Anjo explica o significado do nome "Jesus"? => Em hebraico diz-se "Yeshuah": O Senhor é salvação. Na Bíblia, quando Deus dá um nome a alguém, indica uma missão que lhe confia. Veja alguns exemplos: Abraão (= Pai de uma multidão - cf. Gn 17,5s), Pedro (= pedra - cf. Mt 16,18), João Batista (O Senhor da a graça - cf. Lc 1,13). Assim, no nome do Menino, já aparece claro qual será a sua missão: trazer a salvação do Pai a toda a humanidade!
3. Do mesmo modo, Igreja recorda neste Dia a circuncisão de Jesus: "Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido" - assim termina o Evangelho da Missa de hoje. => Circuncidado, Jesus passa a fazer parte do Povo de Deus, da raça dos descendentes de Abraão. Leia Gn 17,9-14. => Em Jesus, legalmente descendente de Abraão pela circuncisão, Deus cumprirá as promessas feitas a nossos pais. Leia Gn 12,1-3. Jesus é a Descendência de Abraão por excelência: dele vem a bênção para "todos os clãs da terra". Leia Gl 3,16.
4. Hoje também é Dia Mundial da Paz. Foi o Papa Paulo VI que estabeleceu que o início do Ano Civil, que coincide com a Oitava do Natal, tenha também este sentido. Solicitou a ONU que promovesse tal data e assim foi feito. => É uma idéia propícia, pois o Menino nascido é o Príncipe da Paz. Recorde a primeira leitura da Missa da Noite do Natal: "Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz. Grande será o seu reino e a paz não há de ter fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reinado, que ele irá consolidar e confirmar em justiça e santidade, a partir de agora e para todo o sempre. O amor zeloso do Senhor dos exércitos há de realizar essas coisas". => Além do mais, a Salvação que o Menino traz nos reconcilia com Deus e nos dá o Shalom verdadeiro. Leia Is 53,5; Jo 14,27; 20,19-23; Ef 2,14.
5. As leituras da Missa procuram exprimir toda esta riqueza de conteúdos do dia de hoje: => Na primeira leitura, a Igreja deseja evocar o início do Ano civil suplicando para nós a bênção de Deus. Três vezes é invocado o santo Nome do Senhor sobre nós: "O Senhor te abençoe... O Senhor faça brilhar... O Senhor volte para ti..." => Já sabemos quem é este Senhor e qual o seu Nome: é Jesus, que significa "O Senhor salva!" Assim, começamos o Novo Ano debaixo do Nome santo de Jesus! => Ainda nesta leitura, suplica-se como dom maior a paz, isto é, o Shalom de Deus para os dias de 2008. Tomando a súplica que pede que o Senhor faça brilhar o seu Rosto, reze o Salmo 4: "Senhor, levanta sobre nós a luz da tua Face!"
6. A segunda leitura é profunda: => São Paulo faz um admirável resumo do plano da salvação: (a) Ele se deu segundo um tempo determinado: "o tempo previsto" ou, melhor ainda, "a plenitude dos tempos". => Esse plano consiste no Pai enviar o Filho para que recebêssemos o seu Espírito de Filho e, assim, pelo Batismo, possamos chamar de "Pai - Abbá" o nosso Deus. Em outras palavras: Jesus veio para nos fazer filhos como ele é o Filho; veio para nos dar a natureza divina, fazendo-nos herdeiros do céu. E isto é obra do Espírito Santo. Releia a segunda leitura, descobrindo estes elementos. => O Filho veio como simples homem, nascido de Mulher. Aqui entra a presença da Virgem Maria: ela está bem no centro do plano salvífico: estará como promessa no momento da Queda (cf. Gn 3,15), na Encarnação (cf. Lc 1,26-37), na Cruz (cf. Lc 2,33-35; Jo 19,25-27), no Cenáculo (cf. At 1,12-14) e no Final (cf. Ap 12,1-6). Ela é a Mãe de Deus!
7. O evangelho recolhe também várias idéias do dia de hoje: => Os pastores encontram o Menino com sua Mãe. Isto aparece de modo ainda mais profundo em Mt 2,11. Aí os Magos encontram "o Rei dos judeus que acaba de nascer" (cf. Mt 2,2) com a sua Mãe. Na tradição oriental e bíblica, a Mãe do Rei é a rainha, a gebirá. Leia, por exemplo 1Rs 2,13-20. Jesus é o novo Davi, o novo Salomão. No seu Reino, há uma gebirá, uma Mãe do Rei: a Virgem Mãe de Deus!
Escrito por Pe. Henrique às 16h19
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O Verbo se fez carne
Do Comentário sobre São João, de São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja:
«O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam acerca do Verbo da vida, isso vos anunciamos» (1Jo 1, 1-3). O Verbo encarnado deu-Se a conhecer aos apóstolos de duas maneiras: eles reconheceram-No, em primeiro lugar, pela vista, recebendo do próprio Verbo o conhecimento do Verbo; e, em segundo lugar, pelo ouvido, recebendo do testemunho de João Batista o conhecimento do Verbo.
Acerca do Verbo, João Evangelista começa por dizer o seguinte: «Nós contemplamos a sua glória.» Para São João Crisóstomo, estas palavras estão relacionadas com a frase anterior do evangelho de João: «O Verbo fez-Se homem»; o evangelista pretende dizer que a encarnação nos conferiu, para além do benefício de nos tornarmos filhos de Deus, o benefício de vermos a Sua glória. Com efeito, olhos fracos e doentes não são capazes de, por si mesmos, contemplar a luz do sol; mas, quando o sol incide numa nuvem, ou num corpo opaco, já são capazes de o contemplar. Antes da encarnação do Verbo, os espíritos humanos eram incapazes de olhar diretamente para a luz que «a todo o homem ilumina». Assim, e para que não fossem privados da alegria de a verem, a própria luz, o Verbo de Deus, quis revestir-Se de carne, a fim de que fôssemos capazes de vê-la.
Então, estando os homens «voltados para o lado do deserto, a glória do Senhor apareceu, de repente, na nuvem» (Ex 16,10); isto é, o Verbo de Deus encarnou. E Santo Agostinho observa que, para que pudéssemos ver a Deus, o Verbo sarou os olhos dos homens, fazendo da Sua carne um colírio salutar. Eis por que motivo, logo após ter dito: «O Verbo fez-Se homem», o evangelista acrescenta: «E nós contemplamos a sua glória», como que para explicar que, mal se aplicou este colírio, os nossos olhos ficaram sarados. Era esta glória que Moisés desejava ver e da qual viu apenas uma sombra e um símbolo. Os apóstolos, pelo contrário, viram-na em todo o seu esplendor.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 12h37
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Tu és verdadeiramente Mãe de Deus!
Amanhã, Oitava do Santo Natal, a Igreja celebra a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus. É uma festa antiga, na qual os cristãos saúdam a Virgem Santíssima porque através dela nos veio o Salvador do mundo. No Oriente cristão, a Igreja faz essa saudação no dia 26 de dezembro, pois os orientais têm o costume de congratular-se com as mulheres que dão à luz logo no dia seguinte ao parto, cumprimentando-as pelo dom da maternidade. Daí o belo costume: no dia seguinte ao Natal, os cristãos congratulam-se com a Mãe de Deus pelo Filho que ela gerou e deu à luz. Jesus, o Nascido por nós, é Deus verdadeiro e perfeito; por isso a Virgem pode ser chamada verdadeiramente de Mãe de Deus.
Mas, esta festa e este título, mais que falar de Maria, falam do Filho dela nascido. Jesus é Deus, é uma Pessoa divina, a segunda da Trindade: Deus como o Pai e Deus como o Espírito Santo. Nossa fé nos ensina que há um só Deus, uma só natureza divina, infinita, perfeita e eterna. Ora, esta natureza divina é a única natureza do Pai e do Filho e do Espírito Santo, de modo que o Pai é verdadeiro e único Deus (pois só há uma natureza divina), o Filho é verdadeiro e único Deus e o Espírito Santo, igualmente, é verdadeiro e único Deus. Não são três naturezas iguais, mas uma só natureza que é do Pai e do Filho e do Espírito Santo!
Pois bem, a segunda Pessoa da Trindade santa, sem deixar de ser Deus, sem deixar sua natureza divina, assumiu de verdade a natureza humana, igual a nossa, em Maria Virgem. Então, Jesus é uma Pessoa divina, a segunda da Trindade, que sempre possuiu a natureza divina e, agora, por nós e para nossa salvação, assumiu também uma natureza humana, limitada e frágil como a nossa. E essa natureza humana ele a recebeu de sua mãe, a Virgem Maria. O Filho eterno não somente se encarnou em Maria, mas "de Maria", isto é, recebeu dela sua carga genética, suas características humanas, a ponto de Santo Agostinho afirmar com ousadia: "A carne de Cristo é carne d e Maria".
Mas, concretamente, que é uma pessoa? Que é uma natureza? Pessoa, no sentido teológico, é o "eu" que age, que pensa, que sente, que está por baixo de todas as ações, vivências e escolhas da vida. Quem tem sede? Quem ama? Quem sorriu? Quem morreu? Foi Fulano. Este Fulano é a pessoa, o sujeito de todas as vivências e ações. Pois bem, Jesus é uma Pessoa divina - a segunda da Trindade: na sua vida entre nós, tudo quanto ele fez era ação da Pessoa divina que ele é. Assim: quem curou o cego? A segunda Pessoa da Trindade. Quem dormiu no barco no Mar da Galiléia? A segunda Pessoa da Trindade. Quem nasceu da Virgem? A segunda Pessoa da Trindade. Quem sofreu e morreu na cruz? A segunda Pessoa da Trindade! Mas como é possível uma Pessoa da Trindade, uma Pessoa divina, experimentar tudo isso?
Aqui vem o significado de natureza. Natureza é o modo concreto como a pessoa vive, age, sente, pensa, decide, se exprime. Eu sou uma pessoa humana que vivo concretamente numa natureza humana: vivo a ajo como homem, de acordo com a natureza humana. Assim também Jesus: sua Pessoa divina viveu e agiu entre nós de modo humano, vivendo e sentindo tudo que um ser humano vive e sente! Recorde que a natureza humana é composta de corpo e alma racional. Assim, Jesus, como homem, tem um corpo e uma alma humana. Dizer alma é dizer consciência, vontade, conhecimento liberdade, afeto... Tudo isto Jesus tem igual a nós: conhecia como homem, sentia como homem, sofria como homem, tinha limitações naturais de homem, tinha vontade de homem e sentimentos humanos. Foi igual a nós em tudo, menos no pecado que não é humano, mas desumano! Então, voltando para as perguntas do parágrafo anterior: Como pode a segunda Pessoa da Trindade dormir? Como homem! Como pode sofrer e morrer? Como homem, na sua natureza humana! E a sua natureza divina? É a do Pai e do Espírito Santo, que não pode sofrer nada disso. Na sua natureza divina ele enche o céu e na sua natureza humana dorme no presépio; na sua natureza divina sustenta e governa o céu e a terra e na sua natureza humana é alimentado por Maria e guardado por José! Eis que mistério tão grande.
Ora, tudo isto começou no seio da Virgem: ela gerou de verdade o Filho eterno como homem. Jesus nunca diria: Maria é mãe da minha natureza humana. Ele diria: Maria é minha mãe - mãe de minha Pessoa (divina) na natureza humana. Exatamente para deixar isso claro é que a Igreja desde os primórdios chama Maria de Mãe de Deus, isto é Mãe de Deus Filho feito homem. Professar que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus é proclamar que no seu ventre bendito, Deus-Filho humanizou-se, isto é, veio realmente fazer-se homem e viver tudo que nós humanos vivendo. Fazendo-se homem, trouxe-nos a sua vida divina; abaixando-se, nos ergueu; tornando-se servo por nós, deu-nos a realeza divina; tomando a nossa pobre condição, enriqueceu-nos com a sua divindade. E tudo isto começou no puríssimo seio da bendita Virgem Maria! É este mistério que a Igreja, admirada e agradecida, contempla e proclama e celebra na sagrada Liturgia.
"Verdadeiramente é digno bendizer-te, ó Mãe de Deus! Bem-aventurada imaculada para sempre, Mãe do nosso Deus! Mais venerável que os Querubins e incomparavelmente mais gloriosa que os Serafins! Tu, que conservando tua integridade, deste à luz o Verbo de Deus! Tu és na verdade Mãe de Deus! Nós te glorificamos!"

Categoria: Teologia
Escrito por Pe. Henrique às 12h32
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Quanto Deus te ama, ó homem!
Poderá haver mais eloqüente prova de sua misericórdia do que assumir nossa miséria? Poderá haver maior prova de amor do que o Verbo de Deus se tornar como a erva do campo por nossa causa? Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho? Por isso, compreenda o homem até que ponto Deus cuida dele; reconheça bem o que Deus pensa e sente a seu respeito. Não perguntes, ó homem, por que sofres, mas o que ele sofreu por ti! Vendo tudo o que fez em teu favor, considera o quanto ele te estima, e assim compreenderás a sua bondade através da sua humanidade. Quanto menor se tornou em sua humanidade, tanto maior se revelou em sua bondade; quanto mais se humilhou por mim, tanto mais digno é agora do meu amor. Apareceu a bondade e a humanidade de Deus, nosso Salvador. Na verdade, como é grande e manifesta a bondade de Deus! E dá-nos uma grande prova de bondade Aquele que quis associar à nossa humanidade o nome de Deus".
(São Bernardo de Claraval)

Escrito por Pe. Henrique às 01h16
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Uma bondade agora manifesta
"Apareceu a bondade e a humanidade de Deus, nosso Salvador. Demos graças a Deus que nos dá tão abundante consolação neste exílio, nesta peregrinação, nesta vida tão miserável. Veio na carne para se revelar aos que eram de carne, de modo que, ao aparecer sua humanidade, sua bondade fosse reconhecida. Com efeito, depois que Deus manifestou a humanidade, sua bondade já não podia ficar oculta. Como poderia expressar melhor sua bondade senão assumindo mina carne? Foi precisamente a minha carne que ele assumiu, e não a de Adão, tal como era antes do pecado.
(São Bernardo de Claraval)
Escrito por Pe. Henrique às 01h13
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Deus está conosco!
Sim, Deus está conosco! Antes era "Deus acima de nós", "Deus contra nós", mas hoje ele é Emanuel, "Deus conosco". Conosco em sua natureza e em sua graça. Conosco em nossa fraqueza, conosco em sua benignidade. Conosco em nossa miséria, conosco em sua misericórdia. Conosco por amor, conosco por piedade, conosco por ternura, conosco por compaixão!
(Santo Elredo de Rieval, século XII)
Escrito por Pe. Henrique às 01h10
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